É um acrônimo criado em novembro de 2001 pelo economista Jim O'Neill, chefe de pesquisa em economia global do grupo financeiro Goldman Sachs, para designar os quatro principais países emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia e China.
Usando as últimas projeções demográficas e modelos de acumulação de capital e aumento de produtividade. o Goldman Sachs mapeou as economias dos quatro países até 2050. A conclusão do relatório é que esse grupo de países pode tornar-se a maior força na economia mundial, superando as economias dos países de G6 (Estados Unidos, Japão, Alemanha. Reino Unido, França e Itália) em termos de valor do PIB (em doláres americanos). Além da importância econômica, os quatro países tenderiam a aumentar sua influência política e militar sobre o resto do mundo.
O estudo ressalta, no entanto, que cada um dos quatro enfrenta desafios diferentes para manter o crescimento na faixa desejável. Por isso, existe uma boa probabilidade de as previsões não se concretizarem, por políticas inadequadas, simplesmente pro má sorte ou ainda por erros nas projeções e falhas do próprio modelo matemático adotado.
Mas se os quatro países chegarem pelo menos perto das previsões, as implicações para a economia mundial serão grandes e mudanças poderão ocorrer mais rapidamente do que se imagina. De acordo com o estudo, o grupo deverá concentrar mais de 40% da população mundial e um PIB de mais de 85 trilhões de dólares.
Atualmente, os quatro países não formam um bloco político (como a União Europeia), nem uma aliança de comércio formal (como o Mercosul e a ALCA), e muito menos uma aliança militar (como a OTAN), mas construíram uma aliança através de vários tratados de comércio e cooperação assinados em 2002.
Eles, apesar de ainda não serem as maiores economias mundiais, estão em processo de desenvolvimento político e econômico e já fazem sentir sua influência - a exemplo do que ocorreu na reunião da OMC em 2005, impor a retirada dos subsídios governamentais pela União Europeia e pelos Estados Unidos, além da redução das tarifas de importação.
Mas há também muitas diferenças entre eles. Por exemplo, Rússia, Índia e China são grandes potências militares, ao contrário do Brasil, que nunca se engajou em uma corrida armamentista.
Se considerado como um bloco econômico, em 2050, o grupo dos quatro países já poderá ter ultrapassado a União Europeia e os Estados Unidos da América. Entre os países do grupo haveria uma clara divisão de funções. O Brasil e a Rússia seriam os maiores fornecedores de matérias-primas - O Brasil como grande produtor de alimentos e a Rússia, de petróleo - , enquanto os serviços e produtos manufaturados seriam principalmente providos pela Índia e pela China, onde há grande concentração de mão de obra e tecnologia.
O Brasil desempenharia o papel de país exportador agropecuário, sendo que a sua produção de soja e de carne bovina seria suficiente para alimentar mais de 40% da população mundial. A cana-de-açúcar também desempenharia papel fundamental da produção de combustíveis renováveis e ambientalmente sustentáveis - como o álcool e o biodiesel. Além disso, seria o fornecedor preferencial de matérias-primas essenciais aos países em desenvolvimento - como petróleo, aço e alumínio - , sobretudo na América Latina e particularmente na área do Mercosul (Argentina, Venezuela, Paraguai, Uruguai), fortemente influenciada pelo Brasil. No entanto, talvez o mais importante trunfo do Brasil esteja em sua reservas naturais de água, em sua fauna e em sua flora, ímpares em todo o mundo, que tendem a ocupar o lugar do petróleo na lista de desejos dos líderes políticos de todos os países. O Brasil ficaria em quarto lugar no ranking das maiores economias do mundo em 2050.
A Rússia desempenharia o papel de fornecedor de matérias-primas, notadamente hidrocarbonetos. Mas seria também de exportador de mão de obra altamente qualificada e de tecnologia, além de ser uma grande potência militar, caracterítica herdada da Guerra Fria.
A Índia deve ter a maior média de crescimento do bloco. estima-se que em 2050 esteja em terceiro lugar no ranking das economias mundiais, atrás apenas da China (em primeiro lugar) e dos EUA (em segundo lugar). Além de potência militar, o país tem uma grande população, e te, realizado vultosos investimentos em tecnologia e qualificação da mão de obra, o que a tornaria apta a se concentrar no setor de serviços especializados.
A China deve ser, em 2050, a maior economia mundial, tendo como base seu acelerado crescimento econômico sustentado durante todo o inicio do século XXI. Dada a sua população e a disponibilidade de tecnologia, sua economia deverá basear-se na indústria. Grande potência militar, a China encontra atualmente num processo de transição do capitalismo de Estado para o capitalismo de mercado, processo que já deverá estar concluído em 2050.