terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Procura-se uma alma de criança - Maria Eugênia

Procura-se uma alma de criança que foi vista, pela

última vez, dentro de nós mesmos, há muitos anos...

Ela pulava, ria e ficava feliz com seus brinquedos

velhos... Exultava quando ganhava brinquedos novos,

dando vida a latinhas, barbantes, tampinhas de

refrigerantes, bonecas, soldadinhos de chumbo e

figurinhas . . .

Batia palmas quando ia ao circo, quando ouvia

músicas de roda, quando seus pais compravam sorvete:

“chikabon, tombon, eskibon...” Tudo danado de bom!

Ela se emocionava ao ouvir histórias contadas pela

mãe ou quando lia aqueles livrinhos de pano que a

madrinha lhe dava quando ia visitá-la... Chorava quando

arranhavam seus brinquedos: aquele aparelho de chá

cheio de xícaras com que servia as bonecas ou os

carrinhos de guindaste, tratores e furgões.

Fazia beiço quando a professora a colocava de

castigo, mas era feliz com seus amigos, sua pureza,

sua inocência, sua esperança, sua enorme vontade de

ser uma grande figura humana, que não somente

sonhasse, mas que realizasse coisas importantes em

um futuro que lhe parecia ainda tão longínquo.

Onde ela está? Para que lado ela foi? Quem a vir,

que venha nos falar... Ainda é tempo de fazermos com

que ela reviva, retomando um pouco da alegria de nossa

infância e deixando a alma dar gargalhadas, pois, afinal,

“ainda que as uvas se transformem em passas, o coração

é sempre uma criança disposta a pular corda”.

Para não deixar morrer a criança que todos temos

dentro de nós...Deixe-a sair, brincar e sonhar . . .

Uma das poucas coisas que ainda podemos fazer

sem ter de pagar impostos!

ACHE LOGO SUA CRIANÇA

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